quarta-feira, 26 de abril de 2017

O sentido do 25 de abril

«(...) dispensamos aventuras sem regresso!» - Marcelo no discurso do quadragésimo terceiro aniversário do 25 de Abril.
Aplaudido por todo o hemiciclo, o Presidente disse, ainda, que "Portugal não é um país perfeito" como forma de sublinhar o muito que falta fazer, a nível do poder político e de outros [julgo que se referia ao poder judicial], mas também elogiou o país pelo facto de, há séculos, ser um belo exemplo de tolerância, assimilação, integração das gentes e credos de todo o mundo.
Reiterou [lembrando a importância do próximo acto eleitoral] que "o poder local é o fusível da segurança da democracia"; exortou os portugueses a prosseguir com a construção da democracia,  procurar um maior crescimento económico e melhor distribuição da riqueza; mais à frente, que "devemos ser fiéis á nossa língua"... e, no final, à semelhança do que havia feito no discurso da tomada de posse, reafirmou "Nós orgulhamo-nos de Portugal!"

O discurso do Presidente reportou-me ao próprio dia, que vivi na capital, e gostei do que ouvi. Claro que são palavras, mas também é preciso lembrar que a palavra importa e deve ser dita nas devidas ocasiões, como foi o caso.
Devo referir também que foi relevantíssima a homenagem do Parlamento a Zeca Afonso: um enorme significado para a liberdade nas Artes e na Vida em geral, que é o que o homenageado sempre defendeu e praticou!
 

sábado, 8 de abril de 2017

realidades

«É preciso ter os pés bem assentes na Terra
para conhecer a realidade,
a verdadeira,
não a realidade que consta dos Relatórios!
Marcelo
ao lado dos sem-abrigo,
dando-lhes alimentos,
6Abril2017,
reportagem da Antena 1.

O acto ficará na memória colectiva,
muito provavelmente, pelo símbolo de generosidade e humildade que representa,
mas, para mim, deveria ser lembrado também pelas palavras ditas,
muito simples mas fortes e incisivas [vivemos de relatórios e imagens virtuais
que nos afastam dos verdadeiros problemas sociais: hoje tudo é reduzido a estatísticas e relatórios, veja-se, por exemplo, a violência doméstica, os acidentes na estrada, os incêndios, etc. Depois dos factos consumados, e só depois, não faltam elementos da Protecção civil, das Autarquias locais, do Governo, dos Bombeiros, da GNR, a comentar, apresentar números estatísticos que, habitualmente comparam com os de igual período do ano anterior, a fim de nos convencer de que as coisas estão melhor, graças à sua intervenção... mas, não raras vezes, tais números são utilizados para camuflar uma verdadeira ausência de políticas na área da prevenção que nos seria muito mais útil e eficiente!
Pedagogia de Presidente!?

domingo, 13 de novembro de 2016

Amadeo Souza-Cardoso

Está em curso a recriação
da exposição realizada por Amadeo Souza-Cardoso(1887-1918), na qual o artista divulgou a sua própria obra.

- "(...) aquilo que se diz  desta exposição
é sempre um aspecto anedótico mais castiço,
que as pessoas não perceberam nada,
que foi um escânadalo,
que lhe cuspiram para os quadros,
que lhe deram pancada" -
lembrou à Lusa, a historiadora de arte
e comissária da exposição
Raquel Henriques da Silva.*

Na época, a exposição levou a um debate sobre "o que era a arte contemporânea".

Volvido um século, o debate intensifica-se, primeiro com a exposição dedicada ao artista , no Grand Palais, em Paris, e agora através da mostra no Museu Nacional Soares dos Reis!

Viseu também contribuiu com uma conferência, integrada na temática: "Grandes Temas da Arte Portuguesa" que marcou o 2º Ciclo de Conferências organizado pela Câmara Municipal de Viseu, sob a coordenação da historiadora de arte Dalila Rodrigues, no pretérito mês de Outubro .
Helena de Freitas, curadora da referida exposição de Paris, presenteou-nos com uma brilhante palestra sobre os passos dados para a concretização do grande evento levado a cabo na capital francesa.

A recriação prossegue até 1 de Janeiro de 2017.
Imperdível!

* - citação do jornal Público de 28 de Agosto de 2106 -
 

domingo, 21 de agosto de 2016

únicas portas

"Quando a música é só estética, acaba-se em Auschwitz

 - afirmou Jordi Savall, maestro do Hespérion XXI e da Capella Reial de Catalunya, por ocasião do concerto de abertura do 6º Festival Terras Sem Sombra, na Igreja Matriz de Santiago do Cacém sexta-feira 28 JAN 2010.

"A música e a cultura são as únicas portas que ainda podem promover o diálogo entre os povos. Todas as outras - políticas, sociais, violentas - foram um fracasso.*

*- em entrevista, jornalista António Marujo, in Ípsilon Público Sexta-feira 29 Janeiro 2010

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Bárbara Bulhosa

(...) A editora da Tinta da China, que já assistiu a cinco edições da festa*, todos os anos contrata algum autor que descobriu em Paraty. A editora, que está também a publicar no Brasil, acaba de lançar especialmente para aquele país  a colecção Grandes Escritores Portugueses, que se iniciou com Os passos em Volta, de Herberto Hélder, Breviário do Brasil, de Agustina Bessa-Luís, e Causa da Decadência dos Povos Peninsulares, de Antero de Quental. Outros autores, como Eduardo Lourenço se seguirão.. O projecto é financiado pelo Instituto Camões, pela Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e pelo Turismo de Portugal. (...)**

*Festa Literária Internacional de Paraty
**Extracto do artigo Uma casa portuguesa na FLIP de Paraty?, de Isabel Coutinho, in Público 23 JUL 2016 

domingo, 6 de dezembro de 2015

Aquilino disse um dia

"Há duas coisas péssimas que podem acontecer na vida de cada um de nós: uma é a satisfação ou realização de todos os projectos e sonhos; outra é a frustação de todos os projectos e sonhos" - cito, de cor, Fernando Dacosta, ontem à noite, na Conversa com mote de Aquilino Ribeiro "Só as ânsias valem porque os triunfos, esses, acabam em bocejos", TINTO no BRANCO" Festival Literário de Viseu

domingo, 9 de agosto de 2015

HATHERLY


A CASA DE BEETHOVEN

A casa onde nasceu Beethoven
Tem quatro pisos
Mas é pequena e triste:
Em 1999
Está cansada.
 
O soalho range perigosamente
Quando passam os turistas
Que caminham lentos
Um tanto receosos.

A um canto
Dois pianos da época
Encostam suas caudas
Timidamente
Temerosos de algum
Não desejado contacto.

Em todos os andares
Nas paredes
Há velhos retratos
E em vitrines
Algumas velhas partituras
Jazem sonolentas.

Fazendo pendant
Com os aparelhos de ouvir
Estão as lunetas embaciadas
Do Mestre.

A casa está vazia
Porque o Mestre
Não está.
Só no jardim
Paira ainda
No leve murmúrio da folhagem
Uma inaudível voz
Um som longínquo
Que ressoa dentro

 ANA HATHERLY, In “Divina Música”, Antologia de Poesia sobre Música
Edição da PROVISEU

 
Morreu AH
Sobre ela, Mário Galego, na Antena 1 disse:
"Escrevia versos que se transformavam em desenhos e desenhava como quem escrevia…


Singela homenagem, na sua viagem sem regresso [5 Ago, 2015]: