terça-feira, 4 de julho de 2017

a cidade única


*Christian sente que, de alguma forma, é como se estivesse de volta à Alemanha da sua infância:
"lembro-me de ter uns 12 anos e fazer compras em pequenas lojas de comércio tradicional, como as que existem no Porto. Agora é praticamente impossível encontrar isto na Alemanha".
Christian chega mesmo a comparar a fase que o Porto vive actualmente com a década de 90 em Berlim depois da queda do muro:
"são fases com algumas similaridades no sentido em que se vive um sentimento de grande vontade de criar coisas novas Ainda existem muitos edifícios desocupados no centro da cidade, as rendas são relativamente baratas, por isso tenho a clara sensação de que há espaço para testar novos negócios, criar coisas diferentes..."
Por outro lado Christian vê de forma muito positiva que o Porto apenas esteja a "despertar" agora:
"Imagine-se que a cidade tinha sido renovada nos anos 80. provavelmente grande parte do património arquitectónico e cultural do Porto tinha-se perdido"
Assim, para o designer, a sonolência da cidade nas últimas décadas do século XX protegeu-a de potenciais desvarios da modernidade.
"Agora é um excelente momento para se estar no Porto. Este sentimento de haver espaço e disponibilidade para fazer parte de algo verdadeiramente único já desapareceu da maior parte das cidades europeias."

* Texto tirado do jornal "Porto", Primavera 2017, Gabinete de Comunicação e Promoções da CMP, distribuído gratuitamente com o Público. A autora do trabalho é Sara Riobom, blogger profissional no www.portoalities.com, um blog no formato Pergunta & Resposta sobre o Porto
* Christian Haas, designer de nível mundial, trocou Munique por Paris e a cidade- luz pelo Porto.O primeiro contacto com a cidade Invicta foi em 2012, no âmbito do convite da Vista Alegre, que o desafiou a conhecer as suas instalações produtivas em Ílhavo.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O sentido do 25 de abril

«(...) dispensamos aventuras sem regresso!» - Marcelo no discurso do quadragésimo terceiro aniversário do 25 de Abril.
Aplaudido por todo o hemiciclo, o Presidente disse, ainda, que "Portugal não é um país perfeito" como forma de sublinhar o muito que falta fazer, a nível do poder político e de outros [julgo que se referia ao poder judicial], mas também elogiou o país pelo facto de, há séculos, ser um belo exemplo de tolerância, assimilação, integração das gentes e credos de todo o mundo.
Reiterou [lembrando a importância do próximo acto eleitoral] que "o poder local é o fusível da segurança da democracia"; exortou os portugueses a prosseguir com a construção da democracia,  procurar um maior crescimento económico e melhor distribuição da riqueza; mais à frente, que "devemos ser fiéis á nossa língua"... e, no final, à semelhança do que havia feito no discurso da tomada de posse, reafirmou "Nós orgulhamo-nos de Portugal!"

O discurso do Presidente reportou-me ao próprio dia, que vivi na capital, e gostei do que ouvi. Claro que são palavras, mas também é preciso lembrar que a palavra importa e deve ser dita nas devidas ocasiões, como foi o caso.
Devo referir também que foi relevantíssima a homenagem do Parlamento a Zeca Afonso: um enorme significado para a liberdade nas Artes e na Vida em geral, que é o que o homenageado sempre defendeu e praticou!
 

sábado, 8 de abril de 2017

realidades

«É preciso ter os pés bem assentes na Terra
para conhecer a realidade,
a verdadeira,
não a realidade que consta dos Relatórios!
Marcelo
ao lado dos sem-abrigo,
dando-lhes alimentos,
6Abril2017,
reportagem da Antena 1.

O acto ficará na memória colectiva,
muito provavelmente, pelo símbolo de generosidade e humildade que representa,
mas, para mim, deveria ser lembrado também pelas palavras ditas,
muito simples mas fortes e incisivas [vivemos de relatórios e imagens virtuais
que nos afastam dos verdadeiros problemas sociais: hoje tudo é reduzido a estatísticas e relatórios, veja-se, por exemplo, a violência doméstica, os acidentes na estrada, os incêndios, etc. Depois dos factos consumados, e só depois, não faltam elementos da Protecção civil, das Autarquias locais, do Governo, dos Bombeiros, da GNR, a comentar, apresentar números estatísticos que, habitualmente comparam com os de igual período do ano anterior, a fim de nos convencer de que as coisas estão melhor, graças à sua intervenção... mas, não raras vezes, tais números são utilizados para camuflar uma verdadeira ausência de políticas na área da prevenção que nos seria muito mais útil e eficiente!
Pedagogia de Presidente!?